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Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos
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Dezembro, 2012

Marcelo F. L. Cordeiro (*)

O RETORNO DO CHEFE

Há algum tempo atrás, chefe era chefe. Quem tinha chefe e tinha juízo, obedecia. A organização formal tinha chefes e subordinados, independentemente dos títulos utilizados. Uns mandavam, outros eram mandados. O chefe ou tinha uma sala separada do pessoal ou tinha uma mesa especial, diferente das demais e posicionada em local estratégico. O chefe chamava, a turma corria. Não havia como se deixar para depois um chamado do chefe. Chefe fazia reuniões com sua equipe e todo mundo ia. O chefe podia ser cordial e simpático, mas nunca era engraçado. O chefe perguntava pouco e falava muito. O chefe tinha o poder de promoção ou demissão dos membros da equipe e mantinha a equipe bem ciente de que , a qualquer momento, poderia usar sobre cada um, a sua autoridade. Só era promovido quem se dava bem com o chefe. O chefe do chefe – muitas vezes – praticava o mesmo tipo de chefia do chefe e era sempre uma figura distante e um pouco assustadora. Os resultados do trabalho de cada um era avaliado pelo chefe, que usava seus próprios critérios, nem sempre compartilhados por outros chefes, muito menos pelos subordinados. Quando o chefe era promovido, havia sempre uma festinha da equipe para ele, mostrando sua “alegria” por “justiça ter sido feita”. O chefe tinha os seus preferidos e se alguém não fazia parte, não tinha muitas chances. Às vezes a preferida do chefe era uma das meninas da equipe , que tinha privilégios que outros não tinham. O chefe nem sempre era muito coerente nas suas decisões: às vezes decidia de um jeito, outras vezes, na mesma situação, decidia diferente . Quando o chefe ficava zangado quase sempre gritava com o subordinado, que não podia gritar de volta. Se o chefe torcia para um time de futebol, não era bom mostrar muita alegria na segunda-feira, quando o time dele perdia. Alguém só era promovido se o chefe o liberasse para outro Departamento e dependia muito de o colega do chefe ser simpático a ele. Quando o chefe era despedido não se podia fazer festa no escritório, nem no barzinho da esquina, porque “pegava mal”. O substituto do chefe em suas faltas e impedimentos transitórios era, em geral, um funcionário modesto, cujo trabalho transitório não faria sombra ao chefe.

Líder era nome de capataz de turma da fábrica ou da rua e era um chefe como os outros.

Chefe hoje em dia quase que virou nome feio e na maioria das organizações fala-se de Gerentes, Supervisores ,Coordenadores e Encarregados ou Líderes, mas se evita o quase palavrão que arrepia a todo mundo. Chefe tem cheiro de passado, cara de atraso, imagem de homem mau ou jeito de burocrata convicto e manso.

Ainda bem que houve homens como Mayo, McGregor, Maslow e outros que, ao longo das décadas passadas ensinaram que chefia não era mais assim. Mayo com suas experiências na Hawthorne, Maslow explicando a motivação das pessoas no trabalho e McGregor nos ensinando que o caminho agora é Y e não X .

A antítese dessa figura terrível do Chefe é o Líder. O Líder lidera pessoas e as conduz, não espera obediência, compartilha objetivos e metas e os persegue junto com o time. Pode ter uma sala só dele, mas que é o local de reuniões e espaço para trabalhar junto. O Líder se impõe pela competência e pelo exemplo. O Líder não inspira medo, mas respeito. O Líder usa a inteligência do grupo e não impõe sua vontade. Ouvir muito e aproveitar muito são características do Líder, que divide os problemas com seu grupo. O Líder tem o poder organizacional, mas não o usa para implantar o terror na área. Promoções e demissões acontecem como decorrência natural da dinâmica da organização, mas o Líder não usa sua autoridade para ameaçar pessoas. O Líder faz parte de seu grupo, ainda que tenha funções que ampliam as suas responsabilidades. Pessoas são pessoas e preferências pessoais podem ocorrer nos relacionamentos, mas o bom Líder saberá usar essas preferências moduladas com a análise das atuações do seu time. O Líder busca o consenso e por isso alcança mais coerência nas decisões que toma. Todos têm direito a torcer por seu time, de se alegrar nas vitórias e sofrer nas derrotas, sem que seja necessário bater palmas para o time do Chefe. Quando o Líder é demitido, certamente não se desejará fazer piada ou festinha e se desejará festejar, sim, quando o Líder venha a ser promovido. O Líder de verdade prepara seus liderados para suas ausências transitórias e para o momento em que deva deixar seu lugar para outro. Enfim, o Líder lidera, não manda. Educa e não obriga. A política do Líder verdadeiro é a do desenvolvimento de pessoas que, em grupo, vão à busca dos objetivos planejados. Do capataz, do feitor, ou do “velho” Chefe, o Líder autêntico e atual não tem mais nada. O que fica é que provavelmente o Líder consegue melhores resultados para sua organização e vive e faz viver um melhor clima para sua equipe e para as pessoas em geral.

Embora o conceito de Líder atenda hoje a tudo quanto se pesquisou e escreveu nos últimos anos, é preciso, ainda, que todos se mantenham alertas a certas recaídas e às vezes até mesmo a impulsos autocráticos e ultrapassados, que vez por outra dominam as pessoas, levando a desejar voltar a ter “autoridade” e força e a promover "O Retorno do Chefe”. Nesses momentos, a hora é de exorcizar os demônios e fechar a porta para essa postura anacrônica.

(*) MARCELO F. L. CORDEIRO é Diretor de Projetos Corporativos da Laerte Cordeiro Consultores em Recursos Humanos, São Paulo, Dezembro, 2012.
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