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Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos
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Outubro, 2012

Laerte Leite Cordeiro (*)

DEMITIDO? EU?

O almoço, naquela 6ª. Feira, na empresa, tinha sido alegre e um pouco ruidoso. Mas afinal, chegava o fim-de-semana e todos nós, gerentes e coordenadores, estávamos um pouco tensos com a situação da empresa e do mercado, precisando relaxar.

De volta a minha sala e naqueles minutos de espera pelo cafezinho pós almoço que Dona Conceição, nossa copeira, sempre trazia, pus-me a pensar sobre o trabalho, a empresa, os negócios e o futuro. Mas logo tudo recomeçou e o tempo para devaneios terminou.

Passavam-se as horas rapidamente e era já perto do fim do expediente, quando a Lurdinha entrou e me avisou: “Carlos, o Dr. Ricardo quer falar com Você antes do fim do expediente”. Agradeci e logo pensei: deve ser sobre o Plano de Metas para o ano que vem, que acabei de apresentar. As previsões não são brilhantes, mas a situação geral também não está essas coisas. E o Plano é bom e o Ricardo vai com certeza me cumprimentar.

Com o Plano embaixo do braço e um sorriso confiante apresentei-me ao Ricardo, um Diretor competente e educado, com quem sempre me dei bem.

Ele pediu um último cafezinho que tomamos rapidamente e, antes que eu pudesse dizer alguma coisa foi direto ao assunto: “Carlos, tenho uma notícia triste para Você, para mim e para todos aqui. Teremos que dispensar os seus serviços. É uma decisão superior, sobre a qual nada posso fazer!" Percebendo o choque que me causava – eu devia estar pálido – reforçou que não se tratava de incompetência, falta de empenho ou lealdade, mas que a decisão era irreversível e que eu deveria procurar o RH, segunda-feira, para negociar a rescisão.

Voltei para minha sala e nem sei como cheguei até lá. Larguei o corpo na cadeira, com um misto de surpresa, mágoa e raiva e sem que pudesse me controlar senti as lágrimas rolarem e o mundo desabar. Depois de alguns minutos e passado o primeiro choque, revivi minha história na empresa, sozinho com a minha dor.

Sempre me vi como prata-da-casa, com mais de 15 anos de trabalho, numa carreira ascendente, que começou como auxiliar de escritório e me levou à gerência, pelos meus bons serviços prestados. E porque isso agora?

É verdade que estávamos todos advertidos de que a empresa contratara uma Consultoria para um trabalho de racionalização e reorganização e que já havia ocorrido a extinção de funções, mudanças no organograma, alterações de processos e redução da burocracia. E que também alguns colegas de salários mais altos, mesmo gerentes, tinham sido desligados por força da reformulação organizacional. Mas, eu? Depois de tantos anos, agora, esta surpresa? Se alguém é culpado, esse alguém é a empresa pois se queriam alguém melhor do que eu sou que me cobrassem mais ou que indicassem o que estava errado em meu trabalho.

E assim, naquele triste fim de tarde, querendo explicar minha desdita, acabei por me perguntar com honestidade: “Mas de verdade, foi a empresa a culpada, ou fui eu mesmo que cavei o meu próprio buraco?” E comecei a me perguntar se, por exemplo, foi a falta de interesse nos cursos que a empresa oferecia, se foi meu estilo autocrático de chefia, se foram meus excessos burocráticos ou se foi minha já tranquila zona de conforto.

Não, foi algo maior do que só isso. E com tristeza concluí que a razão maior que todas foi a de que fiquei no passado, pensei que tinha cadeira cativa, fugi da renovação e me mantive míope, sem ver que o mundo estava passando e que só eu não via. A verdade é que somos ambos culpados, a empresa assim como eu, pois poderíamos ter evitado o que afinal ocorreu.

Enfim agora já é tarde, não há mais o que fazer, é levantar a cabeça e continuar a viver. Vou contar com a família que saberá compreender e ajudar e parto logo em busca de um novo lugar ao sol, aprendendo com a experiência e evitando novos erros na minha carreira.

De toda essa história triste sobram dois conselhos que acho importante dar aos profissionais como eu e às empresas em geral: aos primeiros que mantenham alta sua empregabilidade, todo o tempo, que essa é a grande tarefa que se espera qualquer executivo; e às últimas que cuidem de acompanhar todo o tempo, a carreira de cada um dos seus profissionais, para ajudá-lo a ser melhor a cada dia e evitar um desenlace fatal.

(*) Laerte Leite Cordeiro é Professor de Recursos Humanos, Mestre em Administração e Conselheiro de Carreiras Executivas. Preside a Laerte Cordeiro Consultores em Recursos Humanos, em São Paulo, Outubro, 2012.
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