Faz quase 5 anos que escrevemos um artigo chamado “Modelos de Gestão”, no qual estabelecíamos que empresas são organismos vivos, compostos de pessoas, que desenvolvem cultura própria lastreada em sua história, nas situações vividas e na personalidade gerencial de seus líderes ao longo do tempo.
Há em cada empresa uma “Cultura Organizacional” que traduz um conteúdo de verdades, valores, éticas e experiências e define os padrões de conduta estabelecidos e cobrados pela organização aos seus membros. Não há duas empresas com culturas organizacionais iguais.
O Executivo como empresa individual também tem a sua “cultura pessoal”, a sua personalidade, o seu estilo gerencial, os seus anseios e as suas expectativas. Como se sabe, também não há duas pessoas com personalidades iguais.
Embora não se tenha muita pesquisa conhecida sobre o assunto, na prática a compatibilidade cultural Executivo – Organização parece explicar o sucesso dos executivos, muito mais do que a adequação do perfil do profissional à descrição dos requisitos formais do cargo.
Sobre promover essa compatibilidade naqueles executivos que já fazem parte do quadro pode ser uma tarefa para o Líder, para a área de Recursos Humanos da empresa ou para um Coach contratado para trabalhar essa imprescindível integração. E com largo esforço dos próprios profissionais, já que a persistir a incompatibilidade eventual, o fato vai levá-los a deixar a organização, no tempo.
O melhor arranjo, na contratação de um novo executivo por qualquer empresa, é aquele que compatibiliza a cultura individual do profissional com a cultura da organização que o pretende.
Não seria uma demasia afirmar que onde essa compatibilidade potencial não exista, não adianta muito avaliar o candidato pelos padrões tradicionais de seleção de executivos.
Entenda-se que conhecimentos, experiência, vivência do ramo, tempo de serviço anterior e demais requisitos normalmente encontrados em processos de seleção de executivos podem ser relevantes, sim, mas nunca resolverão o problema de uma incompatibilidade entre personalidade e cultura organizacional.
Em consequência, o que se pretende estabelecer é que a prioridade na escolha deva ser por aquele profissional que possa fazer parte da cultura organizacional da empresa contratante e não seja avesso a ela, aos seus valores, costumes e éticas. É aí que o Executivo dá certo!
O cemitério executivo está cheio de profissionais que atendiam a todos os requisitos objetivos formais para a posição quando contratados, mas cuja compatibilidade cultural com a empresa contratante não foi devidamente avaliada. Do outro lado, é claro que muitas empresas, preocupadas com os requisitos formais – e talvez, principalmente – com a experiência auferida nos empregos anteriores, deixaram de atentar para a compatibilidade cultural e por isso pagaram um preço alto.
Portanto, cuidado! Transportar um executivo de uma empresa para outra, baseado nas experiências ou nas vivências acumuladas apenas, é perigoso. A garantia de sucesso, a nosso ver, está mais na expectativa de que o profissional se encaixe na nova organização, entendendo-a, aceitando-a e apoiando-a, do que no integral cumprimento dos requisitos formais necessários.
Mudar, apenas baseado na crença de competência suficiente ou nos atrativos materiais de qualquer emprego é também um perigo para qualquer executivo que busca uma nova alternativa profissional. Tanto quanto possível, a sugestão é de que o profissional procure, nas entrevistas ou onde possível informar-se sobre a cultura organizacional da empresa de seu interesse, a fim de antecipar a desejada compatibilidade. Depois será tarde!
(*) Prof. Laerte Leite
Cordeiro, Diretor Geral da Laerte Cordeiro Consultores em Recursos Humanos e especialista em Gestão Estratégica de Pessoas. São Paulo, março, 2010.
 |